Interior do país tem desemprego menor, mas sofre mais com subocupação

A taxa de subocupação no interior foi maior que no estado em 19 unidades da federação, segundo o IBGE. Em Sergipe, a taxa de desemprego é de 13,7% no interior, mas a de subocupados chega a 23,7%


As taxas de desemprego são menores no interior dos estados, mas parte dos trabalhadores e trabalhadoras está subocupada por insuficiência de horas, ou seja, trabalham até 40 horas por semana, mas gostariam de trabalhar mais.

De acordo com dados do quarto trimestre de 2018 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, a taxa de desemprego do interior foi menor que das regiões metropolitanas em 21 estados, com exceção de Acre, Roraima, Mato Grosso do Sul e Goiás, que tiveram a desocupação maior no interior, e da Bahia, onde a taxa ficou igual.

Mas, a taxa de subocupação no interior foi maior que no estado em 19 unidades da federação. Em Sergipe, por exemplo, a taxa de desemprego é de 13,7% no interior, mas a de subocupados chega a 23,7%. No interior do Ceará, o desemprego é de 9,2%, enquanto a subocupação chega a 16,9%, e no Piauí passa de 11,7% para 25,9%.

Os dados mostram que quando a taxa de desemprego é menor no interior, é a região metropolitana e a capital que puxam o desemprego no estado. A maior diferença foi no Amazonas, onde a taxa de desocupação variou de 9,1% no interior para 14,4% no estado. A segunda maior diferença foi no Espírito Santo, onde o desemprego subiu de 8,2% no interior para 10,2% no estado, seguido por Rondônia, de 7,2% para 9% e São Paulo, de 10,8% para 12,4%.

Para o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, os dados mostram a importância dos indicadores de subutilização e subocupação de mão de obra, propostas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2013, e utilizadas na PNAD Contínua desde 2016. Segundo ele, a avaliação do mercado de trabalho apenas pela taxa de desemprego pode gerar distorções.

“Se não tivéssemos hoje as medidas completas de subutilização da força de trabalho propostas pela OIT, e utilizássemos apenas a taxa de desocupação, ia parecer que o interior tem uma situação mais favorável que a das regiões metropolitanas e capitais”, explica Azeredo.

Cimar explica que a análise do mercado de trabalho no interior é importante porque o contingente de população com mais de 14 anos é maior no interior de 22 estados, superando 70% em nove unidades da federação. Por exemplo, o contingente de pessoas nessa faixa que mora fora das regiões metropolitanas chegava a 85% em Santa Catarina, 81,5% no Tocantins e 77,9% no Maranhão.

A situação de desigualdade entre o interior do país e as regiões metropolitanas leva a necessidade de se criar políticas públicas diferenciadas que possam melhorar a qualidade do mercado de trabalho e da renda no interior.

“O desemprego no interior é menor, mas por outro lado é no interior onde você tem mais gente subocupada, mais gente na força de trabalho potencial, o que coloca essas regiões em um processo diferenciado. Com isso, você tem que formular políticas públicas de forma diferenciada para atingir a subocupação, a força de trabalho potencial e o desalento. Esse olhar para o interior tem que acontecer”, conclui Cimar.

Com apoio da Agência IBGE

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